Há poucos frutos mais lindos que o maracujá, não acham?

Existem dois tipos comuns de maracujá: o fruto de cor roxa, mais conhecido por nós e o de cor amarela, que é do tamanho de um limão.

O maracujá, que nasce espontaneamente nas zonas tropicais e subtropicais do continente americano, é também conhecido como o Fruto da Paixão, em inglês ‘passion fruit’, já que é um fruto produzido pelas plantas do género Passiflora… mas na verdade essa paixão nada tem a ver com o sentimento que une as pessoas. Tem sim um simbolismo religioso relacionado com a Paixão de Cristo.

E tudo por causa desta flor. Ainda mais linda que o fruto.

A flor do maracujá.


By PumpkinSkyOwn work, CC BY-SA 4.0, Link

Quando os jesuítas chegaram à América do Sul no século XVI ficaram encantados com a beleza exuberante e as características desta flor e fizeram dela uma representação do Calvário de Cristo. Baptizaram-na como Flor das 5 Chagas.


By Petar MiloševićOwn work, CC BY-SA 4.0, Link

Desde logo, acharam que a planta se parecia com uma visão descrita por São Francisco de Assis – uma videira subindo a cruz onde Jesus foi crucificado. Mas não se ficaram por aí e encontraram um significado religioso em todas as partes da flor:

  • As 10 pétalas e sépalas representavam os 10 apóstolos fiéis, excepto Judas, o traidor, e Pedro, que negou conhecê-lo por três vezes;
  • Os 5 estames representavam as 5 chagas de Cristo;
  • Os 3 principais estigmas, cada um com uma cabeça arredondada, simbolizavam os três pregos usados na crucificação;
  • Os filamentos radiais, que são dezenas em cada flor, representavam a coroa de espinhos;
  • No ovário da flor os jesuítas viram a representação do cálice sagrado;
  • As gavinhas, típicas das videiras e das trepadeiras, representavam os chicotes da flagelação.
  • As flores que estão abertas para polinização apenas durante um dia, acabam por cair ao terceiro dia, o que simboliza também os tempo entre a morte e a ressurreição de Cristo.

A flor do maracujá foi assim entendida como um sinal de Deus para a missão de evangelização dos indígenas naquelas terras distantes.  Até a cor da flor – principalmente roxa – é associada à cor litúrgica da Quaresma.

Que bela história, não acham?

Bom, agora que já conhecem a história, está na hora de conhecerem a receita desta tarte que é tão simples e tão deliciosa.

Como sabem eu não costumo comprar massa quebrada, faço-a de raíz porque o resultado é sempre de uma qualidade muito superior. Fazer a massa não custa nada, e no processador é num instante.

Depois de descansar um pouco no frigorífico a massa vai para o forno sozinha, em duas fases. Nada de complicado. O objectivo é que fique dourada.

Só depois se verte o recheio, que misturamos numa taça num instante à mão. Muito simples. Basta uma vara de arames.

Esta tarte ganha imenso sabor se usarmos mesmo polpa do fruto. No entanto, na falta, temos a opção da polpa em lata. Mas, tal como digo, não é tão bom. O que não significa que não seja bom. Só não sabe tanto a maracujá.

Depois de feita, podemos guardar a tarte num local fresco, ou mesmo no frigorífico, para refrescar até à hora de servir.

Espero que gostem… e se adoram tartes espreitem na secção TORTAS E TARTES que há mais sugestões de que vão certamente gostar!