Os limoeiros estão já bem carregados, é tempo de abundância, e por isso há que aproveitá-los seja em pratos salgados ou sobremesas, em bebidas ou compotas.

Tarte au Citron é um clássico da culinária francesa e, mesmo sendo uma receita importada, acabou por se impor, segundo consta, porque até era servida ao rei como símbolo de riqueza e de bondade.

Não há recanto em França que não a tenha, desde restaurantes a pastelarias, bares, cafés ou padarias.

É servida simples, polvilhada com um pouco de açúcar em pó ou na versão merengada.

Tem um grau de doçura q.b. que deixa o limão brilhar, mas sem excesso de acidez.

Agora que os dias vão começar a ficar mais quentes, à medida que caminhamos alegremente para o Verão, esta tarte, servida bem fresca, é perfeita para fechar uma refeição com a sua cor vibrante e o seu sabor cítrico.

Ingredientes para a massa

Apenas 5 ingredientes para fazer uma massa quebrada ligeiramente doce. A farinha deve ser para usos culinários (T65) sem fermento.

Ingredientes para o recheio

São necessários estes 4 ingredientes para fazer o recheio, um creme de limão muito semelhante ao conhecido curd de limão, mas mais suave na acidez e doçura em relação à receita que tenho aqui no site.

Os limões são grandes e os ovos também. Se usarem limões mais pequenos usem 4. Quanto ao sumo a retirar deve ser de 200 ml. Se os limões não forem sumarentos, espremam mais mas não retirem mais raspa.

No caso dos ovos, se usarem pequenos ou médios, coloquem mais um ovo inteiro e mais uma gema.

Equipamento necessário

Além dos ingredientes é ainda necessário ter alguns equipamentos.

Na fotografia não está o processador onde faço a massa, porque pode ser substituído por uma batedeira com acessório de pá ou mesmo feita à mão. Também não está o espremedor para retirar o sumo ou a película aderente para envolver a massa. Na hora, com tanta coisa a ser feita, acabo por me esquecer de alguma coisa…

De resto, vão precisar de uma tarteira com 22 a 24 cm de diâmetro, rolo da massa, folha de alumínio e pesos para colocar sobre a massa na hora de cozer (na falta dos pesos de cerâmica usem leguminosas secas como feijão ou grão), além de um ralador, vara de arames, espátula de silicone e coador para garantir um creme muito aveludado.

Fazer a massa

Usando um processador com lâmina ou uma batedeira com acessório de pá, trituramos/batemos a manteiga com o açúcar em pó até ficar em creme. Por regra, nas massas a usar de imediato, devemos usar manteiga bem fria, mas aqui, para facilitar o processo, a manteiga pode estar à temperatura ambiente, já que a massa irá descansar duas horas no frio.

Juntamos o ovo e o sal e trituramos/batemos mais um pouco para ligar.

Finalmente juntamos a farinha toda de uma só vez e trituramos/batemos até formar bola ou agregar um pouco. Não devemos bater para além disso para preservar uma boa textura da massa.

Espalmamos a massa em disco, embrulhamos em película aderente e guardamos no frio durante duas horas.

Forrar a tarteira

A tarteira deve ter entre 22 e 24 cm de diâmetro. Se for maior fará com que a massa fique muito fina e o recheio muito baixo.

Na hora de forrar a tarteira convém sermos rápidos para a massa não amolecer muito com o calor das nossas mãos.

Polvilhamos a bancada e a massa com farinha, estendemos em círculo com o rolo e forramos a tarteira.

Opcionalmente podemos colocar a massa à mão, pedaço a pedaço, pressionando com os dedos para uniformizar.

Cozer a massa em dois passos

Para que a massa se mantenha bem definida, devemos colocar folha de alumínio sobre ela e encher com pesos de cerâmica bem até cima.

Como os meus pesos não chegaram, acabei por usar também feijões secos, usando mais folha de alumínio para não ficar tudo misturado. Em vez de feijões, também podemos usar grão-de-bico seco.

É assim que vai para o forno durante 20 minutos a 180º C.

Passado esse tempo, retiramos os pesos e a massa regressa ao forno durante mais 5 a 7 minutos ou até dourar como esta.

Fazer o recheio

Para uma boa gestão de tempo, e para aproveitar o calor do forno, o recheio deve ser feito durante o período em que a massa está a cozer.

Esfarelamos muito bem com a ponta dos dedos o açúcar com as raspas de limão, para libertar todos os óleos e aroma do limão.

Juntamos os ovos inteiros e gemas mais o sumo de limão e batemos com a vara de arames até ficar uniforme, mas sem necessidade de espumar muito.

Este processo é feito num recipiente que possa ser usado em banho-maria.

Atenção que no banho-maria o fundo do recipiente de cima não pode estar em contacto com a água fervente que está no tachinho de baixo.

Ao lume, vamos mexendo e assim que a mistura começar a aquecer um pouco, juntamos a manteiga e continuamos a mexer até dissolver.

Vai chegar a um ponto em que o creme começa a engrossar, com um aspecto semelhante ao de uma papa para bebé. Se tiverem um termómetro podem acompanhar a evolução.

O curd de limão fica no ponto aos 75º C.

Não devemos manter ao lume muito mais para evitar passar dos 80º C, altura em que o creme pode talhar. Se engrossou e estabilizou retira-se do lume.

Há quem goste de manter as raspas, mas eu como não aprecio sentir esses pedaços, opto por coar para garantir uma textura dos deuses.

Uso um coador e vou pressionando o creme ainda quente com uma espátula de silicone para reter todos os pedacinhos.

Este creme é vertido sobre a massa já cozida, o topo é alisado e volta ao forno durante mais 5 minutos.

Depois disso, retiramos e deixamos arrefecer sobre a bancada. Só depois colocamos no frio até à hora de servir.

Finalização

A decoração é totalmente opcional, mas fica tão bonita que vale bem a pena.

Depois de retirarmos a tarte para um prato de bolo, distribuímos fatias de limão, em metades ou quartos, e decoramos com folhinhas de hortelã.

Vai assim para a mesa com o açúcar em pó para quem queira polvilhar a sua fatia.

Este recheio é tão sedoso, aveludado, macio…

se os olhos também comem, esta imagem não deixa qualquer margem para dúvidas.

Espero que gostem!

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