Sonhar é bom. Quando um homem sonha, a obra nasce.

E eis a obra que os portugueses – a maioria pelo menos – não dispensa na mesa de Natal.

Esta receita de Sonhos é a que a minha mãe sempre fazia, salvo erro de uma velhinha Teleculinária do final dos anos 70 do saudoso chefe Silva. É também a que sempre faço e que nunca me falha.

A massa dos Sonhos é muito semelhante à massa choux usada para os profiteroles, mas leva menos manteiga.

É cozida no tacho…

Depois deixamos arrefecer um pouco e, à mão ou na batedeira, vamos juntando os ovos inteiros, um a um, envolvendo o próximo depois de o anterior ter sido completamente absorvido.

No final, ficamos com uma massa densa e cremosa, que custa a cair da colher, tipo aquelas boas maioneses feitas em casa.

Para fritar os sonhos, precisamos de um recipiente largo com óleo, para que os sonhos possam dançar de um lado para o outro, à medida que vão abrindo e crescendo.

Este processo requer um óleo que não esteja demasiado quente, caso contrário o exterior dos sonhos sela rapidamente e a massa não abre e, em consequência, eles não crescem.

Muita atenção portanto nesta parte. Devemos manter o lume mais baixo, caso contrário teremos sonhos pequenos e massudos, em vez de sonhos grandes e ocos, como este.

Lembro-me de que foi precisamente com uma grande taça de sonhos que o Paulo Varanda se estreou, com a alegria de sempre, enquanto “provador oficial” em Dezembro de 2011, tinha eu acabado de lançar o meu 1º livro de cozinha.

E foi um ar que se lhes deu. Estavam deliciosos.

Perguntam-me muitas vezes qual o segredo para que os sonhos não amoleçam. Não há.

Os sonhos acabam sempre por amolecer a partir do dia seguinte e continuam óptimos mesmo assim. O importante é que se mantenham gordos e não encolham e isso só se consegue quando se fritam bem, seguindo as indicações que já referi.

Sejam passados por açúcar e canela ou servidos com uma calda, estes Sonhos estão sempre presentes na minha mesa de Natal.

E na vossa?

Preferem os sonhos ou as filhós de abóbora ou cenoura?