A Sericaia é um dos doces mais emblemáticos do Alentejo. A origem não é totalmente clara, mas é muitas vezes explicada como resultado de um encontro de culturas.

Há quem a relacione com a serikaya ou srikaya, um doce do Sudeste Asiático, e a tradição portuguesa aponta para a chegada dessa influência no século XVI, no tempo da presença lusitana no Oriente.

A receita teria depois sido adaptada e apurada nos conventos de Elvas e Vila Viçosa, e assim, ganhou o perfil que hoje conhecemos.

Tradicionalmente servida com ameixas de Elvas em calda, a sericaia é uma sobremesa muito ligada a mesas de festa e ocasiões especiais. Se gosta deste tipo de doçaria, vale a pena espreitar também o Leite-Creme ou os pães-de-ló, como o de Ovar ou o de Margaride.

A sericaia não é um doce exclusivo da Páscoa, longe disso, mas pareceu-me uma boa altura para o partilhar, precisamente por ser uma sobremesa que assenta tão bem numa mesa festiva.

Segui a receita da Maria de Lourdes Modesto, cuja versão leva 12 ovos e exige um prato maior. Como o meu prato tem 33 cm de diâmetro e não é muito fundo, ajustei a quantidade.

Dias antes, tinha preparado uma versão com 6 ovos para um jantar cá em casa, o que resultou numa sericaia mais baixa e com mais rachas.

As quantidades para a versão com 6 ovos estão mais abaixo, na secção OUTRAS INFORMAÇÕES.

Para esta versão que aqui partilho convosco fiz uma sericaia com 9 ovos, porque gosto dela um pouco mais alta e, naturalmente, mais cremosa.

Isso altera o comportamento no forno: por ter mais volume, demora mais tempo a abrir rachas.

Nesta proporção, a massa fica já no limite do prato e, por isso, tem de estar bem fofa e arejada para não verter.

São duas versões possíveis e ambas resultam muito bem.

Quais os ingredientes da sericaia?

Ingredientes simples, como acontece tantas vezes nos grandes doces tradicionais: ovos, açúcar, leite, farinha, limão, canela em pau e em pó e uma pitada de sal. Para servir, e se gostar, as clássicas ameixas de Elvas em calda.

Passo-a-passo: aromatizar o leite

  1. Comece por levar o leite ao lume com a casca de limão, o pau de canela e a pitada de sal. Assim que levantar fervura, retire do lume e deixe amornar.
  2. Junte um pouco de leite morno à farinha e mexa vigorosamente para não fazer grumos. Quando estiver bem dissolvida misture-a no restante leite.

Fazer o creme da sericaia

  1. Bata as gemas com o açúcar até obter um creme fofo e esbranquiçado.
  2. Junte o leite morno, concha a concha, ao preparado de gemas e açúcar, mexendo bem.
  3. Coloque a mistura no tacho onde aromatizou o leite.

Levar ao lume

  1. Leve o preparado a lume brando, mexendo sempre, até engrossar bem.
  2. Deve ficar com uma textura segura, tipo leite-creme. Depois retire do lume e continue a mexer com vara de arames, mais uns minutos, para ajudar o creme a arrefecer mais depressa e a manter uma textura macia. Assim evita-se também que crie uma película superficial, típica de quando o creme arrefece parado em contacto com o ar.

Juntar as claras

  1. Bata as claras em castelo bem firme. Comece por bater a uma velocidade média-baixa e vá aumentado pouco a pouco. Desta forma incorpora mais ar.
  2. Envolva as claras cuidadosamente aos poucos no creme ainda ligeiramente morno, com uma colher de pau ou espátula, em movimentos circulares de cima para baixo, para manter o máximo de ar possível.
  3. A massa deve ficar fofa, leve e bem ligada.

Colocar no prato

  1. Deite colheradas de massa num prato de barro não untado e suficientemente grande para esta receita. Em alternativa, distribua por dois pratos mais pequenos, mas garanta que a massa tem alguma altura.
  2. Polvilhe generosamente com canela em pó, polvilhando também as extremidades livres do prato, para obrigar a massa a crescer para cima e não para fora.

Levar ao forno

Leve a forno pré-aquecido a 200 ºC em modo ventilado ou 220º C em forno estático, durante 25 minutos.

A superfície deve secar, ganhar ligeira cor e abrir as rachas típicas, mantendo o interior húmido e o centro ainda bamboleante.

Deixar arrefecer e servir

Retire do forno e deixe arrefecer na bancada, no próprio prato. Vai baixar um pouco, como é natural.

Sirva em fatias simples ou com ameixas de Elvas em calda.

A sericaia deve ser servida à temperatura ambiente, com a textura no ponto certo.

Se sobrar, guarde no frigorífico e retire algum tempo antes de voltar a servir.

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