A luzes já se acenderam… e o espírito da quadra encontra-se em todos os recantos. Nas casas, nas ruas, nas igrejas, nos estabelecimentos comerciais que aproveitam esta época para venderem mais do que o habitual. A febre das compras é um clássico por esta altura.

Aqui por casa já comprei tudo o que tinha de comprar para oferecer, mas tenho de confessar que só esta semana vou montar a árvore – é demasiado grande, dá demasiado trabalho e preciso de ajuda. Esta semana,  tenho os ajudantes!

Quanto ao menu… estamos a menos de 10 dias da noite de consoada e o que pensam fazer? Alguns pratos clássicos como ESTES ou doces como ESTES.  Ou vão fazer algo de novo? Já sabem que aqui no site encontram uma grande variedade de pratos salgados e doces para fazer nesta época.

Há muita coisa que podemos ir adiantando, congelar até, mas há receitas que só se podem mesmo fazer de véspera ou no próprio dia.

É o caso desta beleeeeeeeeeezzaaaaa!

Faz-se de véspera e termina-se no dia, o mais possível em cima da hora de servir.

Quem pediu uma Pavlova para a noite de Natal?

A Pavlova tem as cores do Natal e é uma sobremesa que sabe sempre bem em qualquer altura do ano, faça frio ou calor.

Com as gemas que se gastam em doce de ovos, fios de ovos e pudins, esta é uma bela forma de se aproveitarem algumas claras. Se ainda por cima for muito simples e não nos der grande trabalho, então é mesmo disto que precisamos em épocas atarefadas como esta.

Quais os ingredientes?

Para o bolo são apenas este quatro…

E para a cobertura e molho são mais estes…

ONDE ESTÁ A RECEITA ESCRITA COM AS QUANTIDADES?

A receita desta Pavlova com Frutos Silvestres e Molho de Morango, bem explicada, com todos os pormenores, está mais abaixo, logo depois do video, e podem imprimi-la se quiserem.

Recomendações importantes para uma pavlova perfeita

Coloquei-as mais abaixo, depois de vos explicar o passo-a-passo. Se não responder a todas as dúvidas, coloquem as vossas questões nos comentários que eu tentarei responder assim que possível.

Passo-a-passo

A primeira coisa a fazer é bater as claras em castelo em velocidade média até ficarem com picos macios – as claras devem estar à temperatura ambiente.

A partir daqui começamos a juntar o açúcar pouco a pouco, sempre com a máquina a bater, uma a duas colheres de sopa de cada vez, deixando bater uns 20 segundos antes de juntar mais. Quanto mais fino for o açúcar melhor, para se desfazer facilmente e não afectar a textura da pavlova. No entanto, sempre tenho feito com açúcar normal e nunca tive problemas.

Em nenhuma circunstância devemos usar açúcar em pó.

Depois de esgotar o açúcar, deixamos bater por mais uns 3 a 4 minutos a velocidade mais forte até ficar um merengue bem robusto, brilhante e macio, sem qualquer textura areada. Testem entre os dedos, para confirmar que está mesmo macio. Caso contrário poderão ter uma pavlova chorona, o mesmo é dizer, que começa a babar calda de açúcar.

Nessa altura junta-se a maisena e o vinagre e bate-se uns 10 segundos só para envolver. Ficará assim…

Colocamos este merengue num tabuleiro forrado com papel vegetal NÃO UNTADO e espalhamos sobre um círculo de 20 centímetros. Como o papel vegetal é meio transparente, podemos desenhar um círculo no papel. Viramos e colocamos o merengue sobre a outra face.

Podem alisar totalmente as laterais ou fazer outros efeitos – eu gosto deste ar meio tosco – e o fundamental é que o topo fique ligeiramente côncavo por causa da cobertura que será colocada depois de a pavlova estar cozida.

A pavlova é colocada no forno pré-aquecido a uma temperatura mais alta, mas baixamos logo, mal entra, para cozer lentamente durante uma hora e meia. Nunca podemos abrir a porta do forno nem durante a cozedura nem no tempo em que a pavlova irá lá ficar, já com o forno desligado, até esfriar totalmente. Eu costumo deixá-la até de manhã, sempre que a faço na noite anterior. Foi o que fiz com esta.

Depois de totalmente fria, podemos tratar da cobertura e do molho.

Primeiro batemos as natas em chantilly – podem usar um pouco de cremor tártaro para garantir um chantilly bem seguro. Depois trituramos os morangos (já descongelados ou ao natural) com um pouco de sumo de limão e umas folhinhas de hortelã a gosto.

Eu não junto açúcar, nem às natas nem ao molho, para garantir que a pavlova não fica muito doce, mas se quiserem adicionar um pouco, podem fazê-lo. 

Por exemplo, há quem prefira cozinhar o molho com um pouco de açúcar (neste caso duas a três colheres de sopa bastam) deixando fervilhar uns 5 minutos e coando no final. Pessoalmente, prefiro assim mais fresco, ao natural.

Na hora de levar a pavlova para a mesa, colocamos o chantilly e os frutos silvestres. Decoramos com hortelã e polvilhamos com um pouco de açúcar em pó.

Servimos com o molho de morango à parte e cada um verte a quantidade que quiser já com a fatia no prato. Vejam só este interior! São servidos?

Porquê usar maisena e vinagre?

O vinagre (ou outro ácido como o sumo de limão) e a maisena (amido de milho) ajudam a estabilizar as claras e a conseguir um interior macio como um marshmallow suave.

Com que antecedência posso fazer a pavlova?

Ao contrário dos merengues/suspiros que cozem durante mais tempo para ficarem mais secos e que podem ser guardados em recipientes herméticos, a pavlova NÃO PODE ser feita com mais de 24 horas de antecedência.

Se for para servir ao jantar, podemos fazê-la na noite anterior e deixá-la arrefecer totalmente dentro do forno durante a madrugada. Nessa noite, se tivermos outras receitas para fazer no forno, temos de a deixar para último. Se decidirmos fazer noutro horário – por exemplo de manhã ou à tarde – ela vai precisar de um descanso no forno a rondar as 6 horas. Só assim a pavlova consegue ter a estrutura que impede que abata ao colocar a cobertura.

Essa cobertura deve ser colocada muito perto da hora de servir. O chantilly pode estar já batido e as frutas e o molho preparados, tudo guardado no frigorífico, mas só devem ser colocados sobre a pavlova antes de esta seguir para a mesa. Assim, a pavlova não absorve humidade e mantém-se estaladiça por fora.

Erros a evitar

  • bata as claras a velocidade média – bater as claras a alta velocidade incorpora ar muito rapidamente, aumentado o volume rapidamente, o que pode fazer com que perca o ar também rapidamente. O melhor é bater a velocidade média durante o tempo necessário até atingir picos moles.
  • use açúcar refinado fino e junte-o lentamente – dois factores fundamentais para garantir que os cristais do açúcar se dissolvem completamente sem bater em excesso. Este é o clássico merengue francês, o mais delicado, usado na pavlova ou nos sensíveis macarons. Qualquer outro açúcar não funcionará bem, nomeadamente açúcares não refinados como o amarelo, mascavado, de coco, etc., que têm muita humidade. Nesse caso só conseguem estabilizar mais a pavlova fazendo um merengue italiano ou suíço, caso contrário ela vai  colapsar facilmente. A querida La Dolce Rita explica como fazer os 3 merengues neste VIDEO.
  • NUNCA unte o papel, caso contrário a pavlova vai escorregar para os lados enquanto coze.
  • cozinhe a baixa temperatura – apesar de entrar no forno quente, ela irá cozinhar a baixa temperatura para que o merengue possa expandir lentamente sem abrir grandes rachas e sem escurecer. Além disso, NUNCA abra o forno enquanto a pavlova coze e nem no tempo em que ela ali descansa até esfriar. Esta parte é “sagrada”.
  • use um termómetro de forno – se o seu forno lhe prega partidas o melhor é garantir que a pavlova está a cozer na temperatura certa. Fornos desregulados, algo muito comum, que queimam muito facilmente ou que levam sempre mais tempo do que o indicado nas receitas, comprometem seriamente o resultado final.
  • utilize apenas utensílios bem secos e limpos – a humidade e a gordura são inimigas da pavlova. Garanta que a taça para bater as claras e outros utensílios como espátulas e ralador estejam completamente secos e limpos.

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