Há muito que queria fazer o pão de bolota e fiquei muito feliz quando, num passeio com os cães pelo parque natural Sintra-Cascais, encontrei bolotas e decidi apanhar algumas para fazer o meu pão.

Só depois percebi que estas não serviam. São bolotas de carrasco, amargas. Nada feito.

Mesmo com este terrível fail nas bolotas, o passeio foi óptimo – caminhei muito, os cães adoraram.

Chapinharam e refrescaram-se nos riachos e gastaram energias a sério. Mesmo!

A língua do Kiko quando está feliz de cansado, duplica de tamanho. Onde é que ele arranja espaço para a guardar de novo?!

Mas de regresso às bolotas… acabei por ter a sorte de falar a um colega de trabalho que precisava de arranjar bolotas boas para o pão e ele, que tem casa no Alentejo, disse logo que iria arranjar.

Assim foi. Trouxe-me um saco de bolotas doces, que renderam dois belos pães.

Fiz uns com castanha, outros com bolota e usei várias farinhas para testar o comportamento da massa e a textura final.

Uma com farinha pré-preparada para pão sem glúten. Outra de centeio, espelta e trigo integral. Uma versão de broa – quase tipo Avintes – feita com centeio integral. E finalmente, a minha favorita, com farinha de centeio.

Com bolotas ou com castanhas não deixem de fazer este pão, um legado dos povos lusitanos, nossos antepassados, que só depois da invasão romana começaram a introduzir o trigo na confecção do pão. Até aí usavam apenas a farinha de bolota ou de castanha.

Este é um pão mais saudável e nutritivo e pode ser adaptado para quem é intolerante ao glúten, através do uso de farinhas sem glúten.

Se não sofrem dessa limitação podem encontrar outras receitas na secção BOLOS & PÃES.

(Receita adaptada daqui.)