Novembro é o mês da castanha e desde cedo que me habituei a celebrar este período rodeada de muita alegria já que o meu pai fazia anos precisamente no dia de São Martinho.

A minha tia Alice enviava uma saca de castanhas, sempre tão boas as castanhas da Padrela, mas com o passar dos anos as sacas iam sendo cada vez mais pequenas, porque os castanheiros da família começaram a produzir menos, alguns afectados por doenças, ou porque faltava mão-de-obra para a apanha.

Em Lisboa, fossem as castanhas vindas da terra, fossem compradas por cá, a casa enchia-se de amigos. Não faltava o vinho novo feito pelo meu pai – sim tínhamos uma cave com lagar onde também eu pisei uvas – mais as ditas castanhas bem assadas nas brasas e o caldo verde feito pela minha mãe. Aliás, é a última imagem que guardo dela ao fogão, 5 dias antes de morrer, muito magra e com poucas forças, mas com as suficientes para cumprir a tradição de fazer uma grande panela de caldo verde.

Em dia de aniversário, o meu pai, poeta amador, declamava divertido um dos seus poemas:

“Nasci na Filhagosa

No dia de São Martinho

Como não havia água na aldeia

Baptizaram-me com vinho”

E os copos subiam brindando à saúde do aniversariante. Saudades…

De regresso ao presente…

Na semana passada fui surpreendida com uma oferta vinda de Sernancelhe onde a castanha é um dos motores da economia local e onde se faz de tudo com ela, desde cerveja, a licor, marmelada, bombons, até velas e sabonetes. Com tudo isto veio também um livro de receitas com castanhas.

Fiz uma delas, ligeiramente adaptada, para um jantar. Um Osso Buco cozinhado lentamente que fica a descolar do osso, servido com puré de castanha. Irei publicar essa receita na próxima semana e posso já dizer-vos que ficou verdadeiramente gourmet. Top top mesmo.

O bolo desta semana, não está neste livro.

E o que tem este bolo de especial?

  • Tem uma textura e um sabor únicos e irresistíveis.
  • É pouco doce e não tem farinha, adequada portanto para intolerantes ao glúten.
  • Fica completamente húmido por dentro mas sem massa a babar, com uma textura algures entre um brownie e um cheesecake. É o que me ocorre, mas esta é daquelas coisas que só provando. Não se consegue explicar totalmente por palavras.
  • É um bolo que se mantém fresco durante dias a fio o que permite fazê-lo com antecedência.

Quais os ingredientes?

Para o creme doce de castanha, que podemos fazer de véspera ou algum tempo antes, são apenas estes:

Para o bolo temos estes, incluindo o creme doce de castanha já pronto.

ONDE ESTÁ A RECEITA ESCRITA COM AS QUANTIDADES?

A receita deste Bolo Húmido de Castanha e Chocolate, bem explicada, com todos os pormenores, está mais abaixo, logo depois do video, e podem imprimi-la se quiserem.

Passo-a-passo

Se usarem castanhas frescas, dêem-lhes um golpe e cozam-nas em água durante 8 minutos, apenas o tempo para se retirar a casca com facilidade.

Com castanhas congeladas podemos passar imediatamente para este primeiro passo que é cozinhá-las lentamente em leite ligeiramente açucarado durante 20 minutos.

Transferimos as castanhas para um processador

Juntamos o sal e o extracto de baunilha e trituramos muito bem, juntando o leite até ficarmos com uma pasta muito cremosa.

Por regra uso todo o leite, mas é melhor não o juntar todo no início e fazê-lo gradualmente.

Se mesmo assim acharem que precisa de mais um pouco, para obterem um creme com uma textura densa, como se fosse para barrar, juntem leite frio, pouco a pouco, até conseguir essa consistência.

Este creme pode ser feito com antecedência e tem de estar à temperatura ambiente na hora da confecção do bolo.

Avancemos para o bolo!

Derretemos a manteiga com o chocolate em banho-maria (ou no microondas), misturamos bem e deixamos arrefecer.

Quando a mistura de chocolate estiver à temperatura ambiente, juntamos as gemas e o creme doce de castanha.

À parte batemos as claras em castelo com uma pitada de sal e vamos juntando o açúcar até ficarmos com um merengue firme.

Envolvemos as claras, em duas ou três vezes, à massa de chocolate…

e transferimos para uma forma de mola com 24 cm de diâmetro forrada na base com papel vegetal e untada (eu uso sempre spray por ser mais prático).

Após 30 minutos no forno estará assim, com rachas à superfície. À medida que arrefece, o bolo vai descolar-se das paredes da forma.

Depois de frio, desenformamos e polvilhamos com açúcar em pó (opcional).

Este bolo vai ser um sucesso. É daqueles para guardar no Livrinho das Receitas da Felicidade.

São servidos?

O que fazer com restante creme de castanha?

Vai sobrar um pouco é verdade, mas rapidamente se usa. Podemos usá-lo como creme de barrar simples ou juntar-lhe um pouco de chocolate derretido ficando uma espécie de Nutella/Tulicreme de Castanha. Muito bom!

Outra alternativa é servir como puré num prato salgado. O contraste com o doce fica uma delícia.

SE GOSTARAM DESTA RECEITA