Levei muito tempo até me decidir a fazer um bolo com curgete. Sempre achei que na sopa ficava muito bem, mas nos bolos não me convencia.

Mas eis que chegou a hora de colocar as reservas de parte, ao ser inundada com sacos de curgetes da horta do meu pai e com a oferta de uma amiga que tem produção de mirtilos em Sever do Vouga.

É assim todos os anos – a Fati manda uma mensagem a dizer “Olha vou enviar-te umas caixinhas de mirtilos” e depois é isto. Quilos!

Bolo de Mirtilo e Curgete

“E o que é que eu faço com isto tudo Fati??!!”
“Come ao pequeno-almoço!” diz ela.

O que nós nos rimos!

A verdade é que preciso de mais. Só para o pequeno-almoço não dá, não consigo comer tantos todos os dias.

Tinha de encontrar uma solução. Mais uma, porque a última coisa que queria era que estes belos mirtilos morressem à minha espera.

Noutros anos fiz o Gelado de Mirtilo e Iogurte, Crepes de Sementes de Papoila e Mirtilos, Refresco de Mirtilo com Hortelã e os Mimos de Fruta. Houve um ano em que, com uns que comprei, também fiz para o Natal um Bolo de Mirtilos. Além de outras receitas com frutos silvestres onde também havia mirtilos. E agora, que mais poderia inventar?

Até que me lembrei de fazer uma adaptação de uma massa de bolo que levava cenoura ralada, substituindo-a por curgete e juntando-lhe os mirtilos.
Sendo um bolo mais denso pensei que um pouco de canela iria dar-lhe um sabor de transição para o Outono.

Touché! Ficou excelente.

A crosta é muito estaladiça e o interior fica bem húmido, graças aos sucos dos mirtilos e à humidade da curgete. Se a textura e o sabor são óptimos, o trabalho é mínimo. Uma confecção simples, sem máquinas.

Este bolo tornou-se o preferido do meu filho, que de vez em quando me lembra que está na hora de o fazer de novo.