A Páscoa está à porta e para os cristãos em todo o mundo é o período mais importante do calendário, mais até do que o Natal.

A Páscoa que assinala a Ressurreição de Cristo é um feriado móvel, dependente do início da primavera no hemisfério norte e das fases da lua.

O 1º Concílio de Niceia, realizado em 325 dc estabeleceu que a Páscoa seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da primavera. Ou seja, este ano celebra-se a 31 de março.

Por enquanto, ainda estamos no período da Quaresma que começou na quarta-feira de cinzas, 14 de fevereiro, e se estende por 40 dias até ao domingo de Ramos. Neste período, muitos fazem algum tipo de jejum ou optam por não comer carne às sextas-feiras. Outros apenas cumprem essa tradição na sexta-feira santa.

Seja como for, o domingo de Páscoa acaba por ser um dia de abundância sobre a mesa, em contraste com algumas restrições no período da Quaresma.

Em Portugal temos uma vasta e rica tradição gastronómica ligada a esta celebração religiosa – já aqui partilhei alguns dos nossos melhores folares – mas esta semana vou optar por vos desafiar a fazer a famosa Babka, receita judaica criada no início do séc. XIX nas comunidades que habitavam as regiões da Polónia e da Ucrânia, no Leste Europeu, e que é um dos doces tradicionais da Páscoa.

Porque se chama Babka?

É consensual que Babka deriva da palavra eslava para avó, mas ninguém sabe ao certo porque se chama assim.

Uns alegam que, quando era cozida na tradicional forma de bolo redonda canelada, como é ainda hoje o caso da Babka polaca, o resultado era semelhante à saia de uma avó.

Outros dirão que a origem do nome deve-se ao facto de as avós serem as principais cozinheiras nos dias festivos, por terem mais experiência.

E como nasceu a Babka?

Reza a história que a Babka nasceu como aproveitamento da massa que sobrava do Challah (pão entrançado judaico) que se fazia para o Sabat (período de descanso dos judeus entre o pôr-do-sol de sexta-feira e o de sábado). As donas de casa de então barravam essas sobras com compota, canela ou passas e coziam-na juntamente com o challah.

E a Babka de Chocolate?

A Babka de Chocolate ou de Nutella é já uma criação da diáspora nos Estados Unidos, que também inovou ao fazê-la não na forma canelada, mas numa forma rectangular.

Foi a partir dos anos 50 do século passado que começou a ser conhecida. Podia ser comprada em lojas kosher ou embalada na loja gourmet Zabar’s, em Nova Iorque, mas não era ainda a estrela que é hoje. Isso só aconteceu na última década, desde que abriu a Breads Bakery em Nova Iorque.

Hoje em dia, a imaginação é o limite. Há babkas com recheios para todos os gostos, doces e salgados, e é uma iguaria que pode ser comprada durante todo o ano ou feita em casa.

Há, como imaginam, muitas receitas.

As quantidades dos ingredientes variam, o método também, nomeadamente há receitas que pedem que a massa vá para o frio e outras que levam mais de um dia a ficar prontas.

Na minha cozinha testei duas receitas, uma foi para o frio, outra não.

Definitivamente, o melhor resultado foi com a massa que não foi para o frio e que ficou pronta numa tarde, após duas leveduras. E que pujança tem esta massa incrível.

A receita é da Shannon Sarna.

Aproveitei para testar 2 recheios: o de Nutella (que pode ser substituída por creme de chocolate simples) e o de açúcar e canela. Em ambos os casos acrescentei amêndoa palitada para lhe dar mais crocância.

Não me alongo mais, vamos à receita!

Quais os ingredientes?

Estes são os ingredientes da massa e dos recheios…

e estes os da calda de açúcar.

Passo-a-passo

A primeira coisa a fazer é activar o fermento em água morninha. Se espumar e crescer está vivo, se não está morto e há que fazê-lo de novo. Atenção por isso à temperatura da água, que se estiver muito quente mata o fermento.

Numa batedeira com acessório de gancho, começamos na velocidade mais baixa a envolver a farinha, o açúcar e o extracto de baunilha.

Logo a seguir juntamos o fermento já activado, o leite morno, a manteiga derretida morna e os ovos, um de cada vez. Batemos até a massa estar ligada.

Só depois, aumentamos a velocidade e batemos durante 10 minutos. Ficará uma massa muito fofa e elástica.

Transferimos a massa em bola para a taça untada, cobrimos e deixamos levedar.

Menos de duas horas depois a minha massa cresceu isto tudo!

A partir daqui, dividimos a massa em duas partes iguais

e estendemo-la num rectângulo de cerca de 30 x 40 cm. É importante sublinhar que a largura da massa deve ser equivalente à forma onde vai cozer. Se for menos de 30 cm, basta dar-lhe mais comprimento.

Uma recheei com Nutella e amêndoa palitada.

e a outra com a mistura de açúcar e canela.

Enrolamos a massa no sentido do comprimento apertando-a muito bem…

Depois cortamos o rolo ao meio no sentido do comprimento.

Cruzamos uma ponta, e, sempre com a face cortada virada para cima, continuamos a cruzar as tiras até ao fim.

Colocamos sobre papel vegetal untado e transferimos para a forma onde leveda durante mais uma hora.

No caso da babka de açúcar e canela fiz os mesmos torcidos, mas formei uma coroa, juntando bem as pontas entre si.

Depois de terem levedado, as duas babkas seguem para o forno a 180º C (usei ventilado) para cozerem durante 20 minutos.

Nesse período fazemos a calda de açúcar.

Após os 20 minutos no forno, pincelamos uma camada de calda sobre as babkas e mantemos no forno durante mais 10 minutos.

Só depois de as retirarmos do forno, esgotamos a calda, pincelando as babkas em várias camadas, quando estão bem quentes.

Após um descanso de 5 minutos, retiramos as babkas das formas e colocamo-las sobre uma rede para arrefecerem.

Depois de frias, já nos podemos deliciar com esta maravilha!

A babka de açúcar e canela não tem tantos contrastes de cor na massa, mas garanto-vos que é absolutamente divinal!

E é só isto!

Deu-vos vontade de fazer?

Espero que sim, quem sabe para a Páscoa deste ano.

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