Seja com a verdadeira perca, seja com perca-do-nilo que é bastante acessível, seja com outro peixe branco com uma textura firme – como pescada, corvina, maruca, tamboril ou outro de que gostem – este arrozinho fica sempre uma maravilha.

Podem pôr-nos à frente os melhores pratos dos melhores restaurantes, mas a comida de conforto, a que nos transporta a tempos felizes, é sempre muito mais especial, alimenta-nos a alma.

Para mim, isso acontece com este arroz malandrinho que me faz recordar um semelhante que era feito pela minha mãe.

Através da comida matamos saudades, recuperamos sabores e aromas do passado, de dias que já lá vão e que não poderíamos recuperar de outra forma senão pela memória, mesmo a gustativa.

Não cortem muito nos temperos para ficar bem apurado e façam sempre um bom caldo com as peles e as espinhas. Faz toda a diferença.

Tradicionalmente, o arroz malandrinho faz-se com o nosso arroz Carolino, mas sempre que há um pouco mais de tempo de espera ele prega-nos partidas, a menos que se faça muito caldo, e eu, pessoalmente, prefiro-o menos caldoso, porque peixe a nadar é no mar, não no prato. Mas esse é o meu gosto pessoal.

Por isso, opto pelo Thai Jasmin, que absorve bem os sabores e não incha tanto.

Mas, como é óbvio, se quiserem manter a tradição, o Carolino também serve e, nesse caso, têm de pôr mais caldo.